Monday 18 November 2019
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angola24horas - 10 days ago

Economia de Angola cresce 0,4% este ano e 2% em 2020 - Fitch

A agência de notação financeira Fitch estima que Angola consiga evitar uma nova recessão este ano, crescendo 0,4% e acelerando para 2% em 2020, apesar de manter uma Perspetiva de Evolução Negativa sobre o rating . A Perspetiva de Evolução Negativa reflete uma deterioração das métricas da dívida, a contínua queda nas reservas externas e a constantemente adiada retoma económica, que é balanceada com a capacidade do governo para fazer ajustamentos macroeconómicos e orçamentais significativos , escrevem os analistas da Fitch num relatório sobre os ratings na África subsaariana. No documento, enviado aos clientes e a que a Lusa teve acesso, a agência de rating diz que as reservas em moeda externa caíram para o valor mais baixo dos últimos nove anos devido às pressões sobre o kwanza, que desvalorizou para um nível maior do que o esperado, e alerta que o risco de perdas maiores nas reservas externas continua . Sobre a dívida pública, a Fitch aponta que com a inclusão da Sonangol nas contas, o total da dívida do setor público vai subir para 88,8% em 2019 , mas salienta que o cenário base para as previsões aponta para uma estabilização do rácio da dívida face ao PIB em 2020, nos 77,4%. O programa de assistência financeira do Fundo Monetário Internacional, no valor de 3,7 mil milhões de dólares, cerca de 3,3 mil milhões de euros, acordado em dezembro do ano passado, é fundamental para os esforços de consolidação orçamental e ajuda Angola a aceder a fontes de financiamento externo, permitindo ao Governo cumprir as necessidades de financiamento de cerca de 6% do PIB este ano , escrevem os analistas. No relatório, a Fitch salienta ainda que há um desempenho pobre nos indicadores estruturais, nomeadamente no desenvolvimento humano e na governação, que estão abaixo da média, e no PIB per capital abaixo da média dos países cujo rating está em B, para além da dependência do petróleo, sendo o país mais dependente de uma só matéria-prima entre todos os soberanos analisados pela agência. Entre os fatores positivos, a Fitch Ratings aponta um contínuo aumento nas receitas petrolíferas, um declínio firme na dívida pública no futuro e uma melhoria no ambiente de negócios, no rendimento per capita e nos padrões de governação. Pelo contrário, entre os aspetos negativos, são salientados os falhanços na estabilização da dívida pública face ao PIB, na implementação de uma agenda reformista que apoie o crescimento do setor não petrolífero e que mantenha o acesso a fontes de financiamento externa e, por último, uma deterioração acrescida nas reservas internacionais. No relatório, a Fitch afirma, a nível geral, que a dívida pública na região deverá estabilizar nos 56% este ano, o que compara com a previsão de 83,8% para Angola, 123% para Cabo Verde e de 100,7% para Moçambique, os três países lusófonos analisados pela Fitch Ratings. A subida da dívida combinada com um recurso crescente à dívida comercial e a emissões de dívida fez com que os gastos dos países da África subsaariana em juros da dívida tenham subido, para uma média de 13% em 2019, com cinco dos 19 países analisados com um rácio superior a 20%, o que sugere que há uma margem limitada em caso de choque , alertam os analistas. Entre os 19 países analisados pela Fitch, três têm uma Perspetiva de Evolução Negativa, um está com Perspetiva de Evolução Positiva e todos os outros têm uma Perspetiva de Evolução Estável. A Fitch espera um crescimento de 4,1% este ano, ligeiramente acima dos 4% de 2018, e espera um crescimento um pouco maior em 2020, estimando que as duas maiores economias africanas, a Nigéria e África do Sul, tenham um crescimento em linha com o do ano passado, e antecipam que Angola consiga simplesmente evitar uma nova contração do PIB em 2020 , com o resto da região a dividir-se entre importadores de matérias-primas, que terão um crescimento rápido, e um grupo de exportadores destes materiais que ainda estão a recuperar do choque.

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