Friday 29 May 2020
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angola24horas - 7 days ago

José Eduardo dos Santos: o principal vencedor do 27 de Maio de 1977?

Foi José Eduardo dos Santos que convenceu a direcção soviética de que a estabilidade de Agostinho Neto era melhor para a URSS do que a confusão que seria inevitável se Nito Alves tivesse êxito. Normalmente, quando se fala do 27 de Maio de 1977 na história de Angola, dois nomes surgem no centro da luta pelo poder no Movimento Popular: Agostinho Neto, então Presidente da República, e Nito Alves, dirige da oposição radical no seio do MPLA. Porém, é preciso prestar atenção à figura de José Eduardo dos Santos, então ministro dos Negócios Estrangeiros daquela antiga colónia portuguesa, nesses acontecimentos. Parece não haver dúvidas de que os acontecimentos de 27 de Maio de 1977 foram o corolário sangrento da luta entre fracções políticas dentro do MPLA, uma prática historicamente normal no seio de movimentos e partidos marxistas-leninistas. Mas há ainda muitos episódios que esperam o seu esclarecimento cabal, o que só se tornará possível com o acesso a arquivos angolanos, soviéticos e cubanos. Um desses episódios é o do papel da União Soviética na luta política no seio do MPLA. Alguns dirigentes angolanos acusaram a cúpula do Partido Comunista da União Soviética de ter apoiado o “golpe” de Nito Alves com vista a derrubar Agostinho Neto, por considerar que este se estava a afastar do “marxismo-lenismo”, ou seja, da “linha soviética”. Uma das fundamentações dessa tese é o facto de Nito Alves ter representado o MPLA no XXV Congresso do Partido Comunista da URSS, que se realizou entre 24 de Fevereiro e 5 de março de 1976. Mas esse facto ainda não é prova do apoio do Kremlin ao revolucionário angolano. Recordamos, porém, que ele foi nomeado pelo movimento angolano para o representar no fórum máximo dos comunistas soviéticos e não por estes. Por outro lado, segundo alguns investigadores, nomeadamente Alexey Jarov, veterano soviético da guerra civil em Angola, Nito Alves poderia ter utilizado a sua visita a Moscovo para sondar a direcção soviética sobre ­a sua acção e teria ficado convencido do seu apoio. Oleg Arkataev e Stanislav Frenorov escrevem mesmo que “na Secção Internacional do Comité Central do Partido Comunista da União Soviética simpatizavam com Alves e olhavam com desconfiança para Neto e Carreira devido à demasiada iniciativa própria”. Sublinhe-se também que, do ponto de vista ideológico, as ideias de Nito Alves como a aceleração do processo revolucionário em Angola estavam mais próximas dos ideólogos soviéticos do que as de Agostinho Neto. Porém, como é sabido, os soviéticos não foram em apoio dos “nitistas”, deixando aos cubanos a salvação do regime de Agostinho Neto. OBSERVADOR - CONTINUA  

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